Joana Cabral falou sobre o diagnóstico do transtorno

 O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) está associado à incapacidade da pessoa de gerenciar suas emoções de forma eficaz. Algumas famosas foram diagnosticadas com o transtorno.

Famosas/Personalidades com TPB ou com indícios (segundo fontes):
Angelina Jolie: Relatou lutas internas semelhantes às características do transtorno.
Marilyn Monroe: Apontada historicamente com traços de TPB.
Doja Cat: Revelou publicamente o diagnóstico.
Joana Cabral: Falou sobre a importância do amor-próprio no controle da doença
Britney Spears: Associada pela intensidade emocional.
Monique Evans: Abordou sua vivência com o transtorno.

A atriz e influenciadora Joana Cabral abriu o coração e falou abertamente sobre o diagnóstico de borderline. Ela conta que através do autoconhecimento conseguiu controlar o transtorno.

“Muitas pessoas com borderline passam anos se sentindo “erradas” sem saber porquê. Quando eu finalmente entendi o que estava acontecendo, comecei a substituir culpa por consciência. Isso abriu espaço para me auto cuidar.  O que costuma vir junto com algumas viradas internas, percebia algumas emoções intensas, que eu não conseguia controlar, tudo isso têm uma explicação. Não são fraquezas”, disse ela.

Joana afirma que quando resolveu procurar ajuda, começou a se entender e se tratar com mais gentileza. “Li um livro poderosíssimo e entendi meus  padrões e aprendi a lidar com eles e construir uma identidade de forma mais consciente. Isso não significa que tudo ficou fácil, o border ainda traz desafios, mas o autoconhecimento mudou completamente a forma de lidar com eles. Entendi que não somos difíceis de amar. Só aprendemos a nos abandonar primeiro”.

Ela reflete que muitas mulheres cresceram acreditando que precisam ser escolhidas para se sentirem valiosas. Que o amor vem de fora. Que ser rejeitada significa não ser suficiente. ( O transtorno de personalidade borderline gira em torno da rejeição, talvez desde criança, pais, amigos e o pico é na adolescência. Na fase adulta você acaba ficando mais consciente de que algo não está certo. )

“As vezes demora para a ficha cair. Acabamos achando que é um padrão normal. Mas aqui está a verdade que talvez ninguém diga com clareza: Rejeição não define o nosso valor. Ausência não define quem somos.  E quem vai embora… não mede a nossa importância.”.

A influenciadora pondera que a cura vem junto quando a pessoa começa a se amar mais e depender menos da validação do outro. “A dependência emocional nasce quando esquecemos de nós mesmas tentando ser tudo para alguém. Quando o medo de perder é maior do que o amor-próprio. E é aí que começa a cura: quando você se escolhe.( Essa é a grande virada de jogo )Se olhar no espelho e reconhecer: “Eu sou uma grande perda” Não é arrogância. É consciência. É se amar primeiro”, diz.

Joana Cabral afirma que amor- próprio não é sobre nunca sentir dor. É sobre não se abandonar por causa dela. “É aprender a dizer não sem culpa, ficar sozinha sem se sentir vazia, eu mesma passei pelo vale da solidão, até chegar à solitude, e aí, tudo muda. Nossa régua fica lá em cima. Não aceitamos migalhas emocionais parar de tentar consertar quem não quer mudar”.

“Você não precisa ser perfeita para ser amada. Mas precisa parar de aceitar menos do que merece. E se ninguém te disse hoje, eu digo: Você é suficiente. Inteira, e não precisa de validação para existir. Meu conselho para todas as mulheres. É que elas se escolham todos os dias”, completa.

“A fala da influenciadora é extremamente coerente com o que entendemos hoje como evolução clínica no borderline. Quando ela diz que alcançou remissão, autoestima e compreensão de que “curar não é parar de sofrer, mas aprender a lidar com o sofrimento”, ela toca em um ponto central da psicanálise: o sofrimento psíquico faz parte da condição humana. O que muda no processo terapêutico é a posição do sujeito diante da própria dor. Na remissão, não significa ausência total de sintomas, mas sim a capacidade de reconhecer emoções, nomeá-las, regulá-las e não ser dominado por elas. Há uma construção de um “eu” mais consistente, que suporta frustrações sem colapsar. Essa fala mostra elaboração, amadurecimento emocional e integração psíquica — sinais importantes de evolução no quadro”, analista Taty Ades, psicanalista especialista em Transtorno Borderline e Amor Patológico.

A especialista diz que o transtorno de Personalidade Borderline é uma organização psíquica marcada por uma intensa instabilidade emocional, relacional e identitária. “Na perspectiva psicanalítica, falamos de um sujeito que vive em constante oscilação interna, muitas vezes entre extremos — amor e ódio, presença e abandono, idealização e desvalorização. Há uma dificuldade importante em sustentar uma imagem estável de si e do outro. Isso faz com que pequenas situações sejam vividas com grande intensidade emocional, como se reativassem dores mais antigas, muitas vezes ligadas a experiências precoces de abandono, negligência ou invalidação emocional”.

A psicanalista listou os sinais mais comuns: podem incluir medo intenso de abandono (real ou imaginado); relacionamentos instáveis e intensos; oscilações emocionais rápidas e profundas; sensação crônica de vazio; impulsividade (alimentar, sexual, financeira, uso de substâncias); raiva intensa ou dificuldade de controlá-la; episódios de dissociação ou sensação de não pertencimento ao próprio corpo.

Do ponto de vista psicanalítico, de acordo com Taty, o que observamos é um ego fragilizado, que tem dificuldade de simbolizar afetos. “Ou seja, ao invés de elaborar emocionalmente o que sente, o sujeito muitas vezes atua — seja através de impulsos, crises ou somatizações”.

Segundo a especialista, o tratamento é possível e eficaz, mas exige tempo e consistência. “Psicoterapia é o principal caminho — especialmente abordagens que trabalham a regulação emocional, os vínculos e a construção do self. A psicanálise contribui profundamente ao ajudar o paciente a dar sentido às suas dores, acessar conteúdos inconscientes e reconstruir sua história emocional. Em alguns casos, o acompanhamento psiquiátrico é importante para manejo de sintomas como ansiedade, impulsividade ou depressão. O objetivo não é “eliminar o sofrimento”, mas transformar a forma como o sujeito se relaciona com ele — saindo da repetição inconsciente para uma elaboração mais consciente e integrada”.

Taty Ades afirma que o Transtorno de Personalidade Borderline ainda carrega muitos estigmas, mas é fundamental reforçar que há tratamento, há melhora e há possibilidade real de transformação. “Com o acompanhamento adequado, o sujeito pode construir uma vida mais estável, relações mais saudáveis e, principalmente, uma relação mais gentil consigo mesmo. A dor não desaparece completamente — mas ela deixa de ser um caos desorganizador e passa a ser algo que pode ser sentido, compreendido e atravessado. E isso, em termos psíquicos, é uma forma profunda de cura”, finaliza.
Obrigada Vanessa haddad 11985304381

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